Os candidatos ao governo do Estado oficializaram suas candidaturas neste final de semana. Os três principais adversários, Yeda Crusius, Tarso Genro e José Fogaça deram a largada na campanha política de 2010 apresentando propostas de desenvolvimento regional, garantia de qualidade de vida e compromissos com a educação, segurança e com a atração de investimentos. Pelo discurso dos candidatos neste início de campanha, ainda é difícil saber quem tem as melhores propostas.
Os políticos sabem que a campanha para valer começa depois da final da Copa do Mundo, dia 11 de junho. Por enquanto, os partidos se concentram em montar as estratégias de divulgação, os seus trunfos e as críticas aos adversários. Só espero que as “cabeças pensantes” planejem ações propositivas, do tipo: “o que faremos para resolver tal problema”. Já estamos cansados de ouvir que o outro é ruim e eu sou bom, chega de maniqueísmo!
Dia 12 de junho começa a disputa, vamos ver qual equipe vai apresentar o melhor trabalho em campo. O placar será apertado, que vença o (a) melhor.
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
“O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”
O mestre da Língua Portuguesa, José Saramago, faleceu ontem, aos 87 anos. Sinto por termos perdido um grande escritor e, acima de tudo, um crítico que nunca se negou a discutir os problemas sociais. Com a sua única arma - a palavra - ele lutou contra os conflitos no Oriente Médio, a fome, o capitalismo selvagem. Em “Poemas Possíveis”, ele escreveu: "Aqui na Terra a fome continua, a miséria, o luto, e outra vez a fome”.
As injustiças sociais do mundo moderno serviram de inspiração ao escritor que, apesar de combater a ordem mundial onde “os ricos governam e os pobres vivem como podem”, sempre teve amor à vida. Durante entrevista à Rede Globo, há três anos, ele disse: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”.
Obrigada pelas palavras, os teus ensinamentos ficarão para sempre!
As injustiças sociais do mundo moderno serviram de inspiração ao escritor que, apesar de combater a ordem mundial onde “os ricos governam e os pobres vivem como podem”, sempre teve amor à vida. Durante entrevista à Rede Globo, há três anos, ele disse: “O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer”.
Obrigada pelas palavras, os teus ensinamentos ficarão para sempre!
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A moda agora é ser “ficha limpa”
Semana passada, um amigo me disse que os seus candidatos a deputado estadual e federal, além de outros atributos, são “ficha limpa”. A proposta de emenda constitucional aprovada na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e sancionada pelo presidente da República virou pré-requisito nas eleições deste ano. Tanto os partidos políticos quanto os próprios candidatos entraram “na moda” de valorizar a ficha limpa.
Embora tenha sofrido algumas alterações em seu conteúdo, a proposta do Movimento de Combate à Corrupção, que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas em todo o país, entrou em vigor e vai garantir que nenhum candidato que tenha sido condenado por um colegiado de juízes seja candidato nas eleições de 2010. Embora ainda existam algumas discussões sobre a validade da medida para condenações anteriores à vigência da Lei, ela exclui do processo político aqueles que, embora condenados, sempre davam um jeito de retornar a cena política. O caso mais comum era renunciar ao mandato e concorrer na próxima eleição. A partir de agora isso não pode!
Embora com algumas limitações, a nova Lei é um importante passo no combate à corrupção na política brasileira. E o mais interessante: é uma proposta que partiu de um clamor da sociedade e foi ouvida pelo Congresso Nacional. Se a moda é ser “ficha limpa”, esperamos que isso não fique só no discurso e na propaganda de campanha; a ética e o comprometimento com a sociedade devem ser prioridade de todos os candidatos.
Embora tenha sofrido algumas alterações em seu conteúdo, a proposta do Movimento de Combate à Corrupção, que reuniu mais de 1,6 milhão de assinaturas em todo o país, entrou em vigor e vai garantir que nenhum candidato que tenha sido condenado por um colegiado de juízes seja candidato nas eleições de 2010. Embora ainda existam algumas discussões sobre a validade da medida para condenações anteriores à vigência da Lei, ela exclui do processo político aqueles que, embora condenados, sempre davam um jeito de retornar a cena política. O caso mais comum era renunciar ao mandato e concorrer na próxima eleição. A partir de agora isso não pode!
Embora com algumas limitações, a nova Lei é um importante passo no combate à corrupção na política brasileira. E o mais interessante: é uma proposta que partiu de um clamor da sociedade e foi ouvida pelo Congresso Nacional. Se a moda é ser “ficha limpa”, esperamos que isso não fique só no discurso e na propaganda de campanha; a ética e o comprometimento com a sociedade devem ser prioridade de todos os candidatos.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Minha foto é destaque em ZH

Nesta quinta-feira (10), a coluna Informe Escpecial do jornal Zero Hora, editada pelo jornalista Tulio Milman, publicou uma foto tirada por mim na última terça-feira (08), durante o caos que se tornou o trânsito de Porto Alegre. Estou muito feliz pelo importante espaço conquistado no jornal.
Quando fiz a foto, por volta das 19 horas de terça-feira, no 14º andar do Centro Administrativo do Estado (CAFF) - onde trabalho- pensei imediatamente em encaminhá-la ao Milman, pois ele sempre destacou momentos do cotidiano que viram notícia. Acho muito interessante o fato de pegar uma câmera e registrar o que acontece a nossa volta.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Da luta contra a ditadura à crítica das elites
Em 2007, fiz uma entrevista para a revista Sextante, da Faculdade de Jornalismo da UFRGS, com o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, um dos líderes da luta contra a ditadura militar, deputado estadual mais votado no Rio Grande do Sul e ex-marido da candidata à presidência da República, Dilma Rousseff. Passados três anos, resolvi postá-la no blog pela atualidade dos assuntos tratados. Selecionei alguns trechos que considero mais interessantes.
Carlos Franklin Paixão de Araújo cresceu assistindo as reuniões de seu pai com os comunistas da pequena cidade de São Francisco de Paula. Aos 14 anos entrou para a Juventude Comunista e logo depois se desligou do Partidão, pois defendia a idéia de construir um partido com “raízes nacionais”. Foi um dos líderes da luta contra a ditadura militar, período em que conheceu a companheira de muitos anos, Dilma Rousseff. Pela busca do partido nacional, após a abertura política entrou para o PDT e foi o deputado estadual mais votado. A derrota na eleição para a prefeitura de Porto Alegre, provocada pelos próprios companheiros de partido, deu início ao afastamento da política partidária. Mas Carlos Araújo continua fazendo política, criticando as elites e os partidos.
Para conhecer um pouco mais sobre a história de vida deste homem e suas opiniões sobre a política de hoje é que resolvi entrevistá-lo. Sem pressa e com o carisma que o tornou um grande líder, ele fala sobre os anos da ditadura, a tortura na prisão, a política no PDT e a indignação com os veículos de comunicação e, principalmente, com o PT.
A partir de 1964, com o início do período militar, como o senhor começou a participar dos movimentos contra a ditadura?
No primeiro momento eu pensei em voltar a trabalhar com a advocacia, não tinha muito o que fazer, todos estavam sendo presos. O golpe foi em começo de abril e em maio meu pai, meus irmãos e eu acabamos sendo presos dentro do nosso escritório. Ficamos 40 dias onde era a Febem aqui de Porto Alegre. Nessa altura eu já tinha rompido definitivamente os meus laços ideológicos com o partido Comunista, o meu negócio era Cuba, o novo socialismo, e também era viver as nossas raízes, construir um movimento voltado para nossa história, e foi o que fiz.
O senhor começou a acreditar na luta armada a partir da experiência do seu pai, em São Francisco de Paula?
Sim, foi vendo meu pai defendendo posseiros e depois com Julião (Francisco Julião – Ligas Camponesas). Mas nós começamos a nos mexer com a luta armada somente em 1966. Aí começaram a sair nos jornais as nossas primeiras ações. Eram ações muito românticas, nós assaltávamos bancos e depois fazíamos discursos. A nossa organização reunia um pessoal aqui do Rio Grande do Sul, de São Paulo, da Bahia, e de outros estados. O movimento não tinha nome, então nos documentos chamávamos de “O.”, como referência a “Organização”. Nesta época eu conheci a Dilma, ela era representante da Colina, de Minas Gerais, na O.
Como surgiu a idéia de assaltar o cofre do ex-governador Ademar de Barros? Esta ação foi coordenada pelo senhor e pela Dilma?
O nosso grupo, a O., era tão grande que nós não tínhamos como sustentar, faltava dinheiro para a comida e tinha os aparelhos também, que com freqüência tínhamos que trocar para não nos acharem, então acabávamos fazendo assaltos todos os dias para poder nos manter. Por isso decidimos que precisávamos fazer uma grande ação para pegar dinheiro. Aí um companheiro disse que conhecia um cara que sabia onde tinha cinco milhões de dólares. Esse cara era sobrinho do doutor Rui, como era chamada a amante do Ademar de Barros. Ele nos contou que no palacete dela havia um cofre onde era guardado todo o dinheiro do jogo do bicho. Neste momento, eu e a Dilma éramos da direção da O., nós não coordenamos diretamente a operação, quem fez isso foi o companheiro Juarez Brito, que era responsável pelas operações. Foi uma ação muito complicada, porque no palacete havia mais de 20 pessoas, mas conseguimos, levamos o cofre em uma caminhonete até um apartamento que alugamos, uns sete quilômetros do palacete. Mas o que fazer com aquele dinheiro todo? Precisávamos trocar os dólares sem que nos descobrissem. Peguei, junto com outro companheiro, o Espinosa, duas malas de dinheiro e fomos até o kitnet que eu morava com a Dilma. No outro dia, a Dilma e a Maria Auxiliadora, esposa de Espinosa, se arrumaram bem e como falavam ingleses fluentemente, se passaram por turistas para trocar um pouco do dinheiro em uma casa de câmbio. Como deu tudo certo, começamos a fazer o mesmo em outras casas de câmbio, até que conseguimos trocar o montante maior com um banco, o Bradesco. Mandamos uma parte do dinheiro para os companheiros que estavam em situação muito difícil no exterior e ficamos com o resto.
Como foi a sua prisão em São Paulo?
Eu estava comandando a organização no Rio de Janeiro e a Dilma estava em São Paulo. Depois da prisão dela, eu assumi o comando em São Paulo. Fui preso na rua, quando tinha encontro com uma pessoa do grupo. A tortura era muito violenta, até entrar ali a gente acha que vai resistir e isso é muito ruim porque quando se é jogado lá dentro a gente tem que aprender que ninguém agüenta a tortura, que ninguém aguenta a dor continuada, que entre a dor continuada e a morte a gente prefere a morte, que entre a vergonha de falar e a morte preferimos a morte. Mas isso a gente só aprende ali, na prática. Foi o que aconteceu comigo.
Em 1979, com a volta da pluralidade de partidos, o senhor se filia ao PDT. Por que desta escolha?
Desde quando rompi com o Partido Comunista, eu queria a construção de um partido com raízes nacionais e o PDT representava isso. O caminho natural seria para que eu fosse para o PT, mas o PT é um partido que nega a sua história, que negou Getúlio, Jango e Brizola, que disse que a luta dos trabalhadores começou em 1977, no ABC Paulista, quando na verdade ela passa pelo Getulismo. Que partido é esse que despreza a nossa história?
O senhor acha que o PT era uma falsa esquerda?
O PT é uma falsa esquerda, eu já sabia disso naquela época. O PT é uma coisa passageira, trágica, prejudicial, que tentou desviar os trabalhadores do seu rumo e que conseguiu fazer isso, aniquilando com o movimento operário no Brasil. Depois que o PT ficou forte mesmo, nunca mais teve uma greve, acabou com a CUT, só não conseguiu acabar com o MST porque o movimento tem uma autonomia muito grande. Hoje o PT está demonstrando que é um partido de centro-direita, que representa as elites.
A sua derrota para Olívio Dutra na eleição para prefeito de Porto Alegre, em 1988, pode ser atribuída ao seu companheiro de partido, Alceu Collares?
Ele me derrotou. Mas quem errou fui eu que não estava preparado para enfrentar a luta interna no meu partido. Quando ganhei a convenção e saí candidato, eu surpreendi ele, que era contra a minha candidatura. Para me sabotar, colocaram a condição de a Neuza Canabarro ser a minha vice, eu não aceitei, aí caiu a casa. O Collares era o prefeito e acabou estimulando uma greve dos lixeiros da prefeitura. Dez dias antes da eleição, eu estava na frente nas pesquisas, explode a greve e toda a semana que antecede a eleição o lixo não é recolhido na cidade. Acabei perdendo por poucos votos. Eu deveria ter denunciado o prefeito, mas eu vacilei, achei que não era o correto porque queria manter uma unidade no partido.
O senhor representava uma ameaça aos outros líderes do partido?
Eu representava uma ameaça ao Collares, que queria ser governador.
Quando o senhor resolveu sair do PDT?
Eu me desliguei do partido na eleição do Collares contra o Tarso Genro para prefeito no ano de 2000. Eu não ia apoiar o Collares, mas também não poderia ficar no partido sem apoiá-lo, é uma questão ética.
Por que o senhor não se filiou em nenhum outro partido?
Porque não tinha nenhum outro partido que eu acreditasse. Se eu tivesse que voltar para um partido hoje, seria para o PDT. Eu acredito que vão surgir lideranças no partido que vão retomar o caminho.
Sobre a democracia brasileira, qual a sua opinião?
Não há democracia num país que tem quinze milhões de analfabetos, que morre quase um milhão de crianças por ano de fome e onde a mídia é dominada por dois, três grupos privados. Isso não é democracia, é uma ditadura da mídia que nos condiciona. Eu só posso falar em democracia formalmente, mas não é uma democracia real.
Carlos Franklin Paixão de Araújo cresceu assistindo as reuniões de seu pai com os comunistas da pequena cidade de São Francisco de Paula. Aos 14 anos entrou para a Juventude Comunista e logo depois se desligou do Partidão, pois defendia a idéia de construir um partido com “raízes nacionais”. Foi um dos líderes da luta contra a ditadura militar, período em que conheceu a companheira de muitos anos, Dilma Rousseff. Pela busca do partido nacional, após a abertura política entrou para o PDT e foi o deputado estadual mais votado. A derrota na eleição para a prefeitura de Porto Alegre, provocada pelos próprios companheiros de partido, deu início ao afastamento da política partidária. Mas Carlos Araújo continua fazendo política, criticando as elites e os partidos.
Para conhecer um pouco mais sobre a história de vida deste homem e suas opiniões sobre a política de hoje é que resolvi entrevistá-lo. Sem pressa e com o carisma que o tornou um grande líder, ele fala sobre os anos da ditadura, a tortura na prisão, a política no PDT e a indignação com os veículos de comunicação e, principalmente, com o PT.
A partir de 1964, com o início do período militar, como o senhor começou a participar dos movimentos contra a ditadura?
No primeiro momento eu pensei em voltar a trabalhar com a advocacia, não tinha muito o que fazer, todos estavam sendo presos. O golpe foi em começo de abril e em maio meu pai, meus irmãos e eu acabamos sendo presos dentro do nosso escritório. Ficamos 40 dias onde era a Febem aqui de Porto Alegre. Nessa altura eu já tinha rompido definitivamente os meus laços ideológicos com o partido Comunista, o meu negócio era Cuba, o novo socialismo, e também era viver as nossas raízes, construir um movimento voltado para nossa história, e foi o que fiz.
O senhor começou a acreditar na luta armada a partir da experiência do seu pai, em São Francisco de Paula?
Sim, foi vendo meu pai defendendo posseiros e depois com Julião (Francisco Julião – Ligas Camponesas). Mas nós começamos a nos mexer com a luta armada somente em 1966. Aí começaram a sair nos jornais as nossas primeiras ações. Eram ações muito românticas, nós assaltávamos bancos e depois fazíamos discursos. A nossa organização reunia um pessoal aqui do Rio Grande do Sul, de São Paulo, da Bahia, e de outros estados. O movimento não tinha nome, então nos documentos chamávamos de “O.”, como referência a “Organização”. Nesta época eu conheci a Dilma, ela era representante da Colina, de Minas Gerais, na O.
Como surgiu a idéia de assaltar o cofre do ex-governador Ademar de Barros? Esta ação foi coordenada pelo senhor e pela Dilma?
O nosso grupo, a O., era tão grande que nós não tínhamos como sustentar, faltava dinheiro para a comida e tinha os aparelhos também, que com freqüência tínhamos que trocar para não nos acharem, então acabávamos fazendo assaltos todos os dias para poder nos manter. Por isso decidimos que precisávamos fazer uma grande ação para pegar dinheiro. Aí um companheiro disse que conhecia um cara que sabia onde tinha cinco milhões de dólares. Esse cara era sobrinho do doutor Rui, como era chamada a amante do Ademar de Barros. Ele nos contou que no palacete dela havia um cofre onde era guardado todo o dinheiro do jogo do bicho. Neste momento, eu e a Dilma éramos da direção da O., nós não coordenamos diretamente a operação, quem fez isso foi o companheiro Juarez Brito, que era responsável pelas operações. Foi uma ação muito complicada, porque no palacete havia mais de 20 pessoas, mas conseguimos, levamos o cofre em uma caminhonete até um apartamento que alugamos, uns sete quilômetros do palacete. Mas o que fazer com aquele dinheiro todo? Precisávamos trocar os dólares sem que nos descobrissem. Peguei, junto com outro companheiro, o Espinosa, duas malas de dinheiro e fomos até o kitnet que eu morava com a Dilma. No outro dia, a Dilma e a Maria Auxiliadora, esposa de Espinosa, se arrumaram bem e como falavam ingleses fluentemente, se passaram por turistas para trocar um pouco do dinheiro em uma casa de câmbio. Como deu tudo certo, começamos a fazer o mesmo em outras casas de câmbio, até que conseguimos trocar o montante maior com um banco, o Bradesco. Mandamos uma parte do dinheiro para os companheiros que estavam em situação muito difícil no exterior e ficamos com o resto.
Como foi a sua prisão em São Paulo?
Eu estava comandando a organização no Rio de Janeiro e a Dilma estava em São Paulo. Depois da prisão dela, eu assumi o comando em São Paulo. Fui preso na rua, quando tinha encontro com uma pessoa do grupo. A tortura era muito violenta, até entrar ali a gente acha que vai resistir e isso é muito ruim porque quando se é jogado lá dentro a gente tem que aprender que ninguém agüenta a tortura, que ninguém aguenta a dor continuada, que entre a dor continuada e a morte a gente prefere a morte, que entre a vergonha de falar e a morte preferimos a morte. Mas isso a gente só aprende ali, na prática. Foi o que aconteceu comigo.
Em 1979, com a volta da pluralidade de partidos, o senhor se filia ao PDT. Por que desta escolha?
Desde quando rompi com o Partido Comunista, eu queria a construção de um partido com raízes nacionais e o PDT representava isso. O caminho natural seria para que eu fosse para o PT, mas o PT é um partido que nega a sua história, que negou Getúlio, Jango e Brizola, que disse que a luta dos trabalhadores começou em 1977, no ABC Paulista, quando na verdade ela passa pelo Getulismo. Que partido é esse que despreza a nossa história?
O senhor acha que o PT era uma falsa esquerda?
O PT é uma falsa esquerda, eu já sabia disso naquela época. O PT é uma coisa passageira, trágica, prejudicial, que tentou desviar os trabalhadores do seu rumo e que conseguiu fazer isso, aniquilando com o movimento operário no Brasil. Depois que o PT ficou forte mesmo, nunca mais teve uma greve, acabou com a CUT, só não conseguiu acabar com o MST porque o movimento tem uma autonomia muito grande. Hoje o PT está demonstrando que é um partido de centro-direita, que representa as elites.
A sua derrota para Olívio Dutra na eleição para prefeito de Porto Alegre, em 1988, pode ser atribuída ao seu companheiro de partido, Alceu Collares?
Ele me derrotou. Mas quem errou fui eu que não estava preparado para enfrentar a luta interna no meu partido. Quando ganhei a convenção e saí candidato, eu surpreendi ele, que era contra a minha candidatura. Para me sabotar, colocaram a condição de a Neuza Canabarro ser a minha vice, eu não aceitei, aí caiu a casa. O Collares era o prefeito e acabou estimulando uma greve dos lixeiros da prefeitura. Dez dias antes da eleição, eu estava na frente nas pesquisas, explode a greve e toda a semana que antecede a eleição o lixo não é recolhido na cidade. Acabei perdendo por poucos votos. Eu deveria ter denunciado o prefeito, mas eu vacilei, achei que não era o correto porque queria manter uma unidade no partido.
O senhor representava uma ameaça aos outros líderes do partido?
Eu representava uma ameaça ao Collares, que queria ser governador.
Quando o senhor resolveu sair do PDT?
Eu me desliguei do partido na eleição do Collares contra o Tarso Genro para prefeito no ano de 2000. Eu não ia apoiar o Collares, mas também não poderia ficar no partido sem apoiá-lo, é uma questão ética.
Por que o senhor não se filiou em nenhum outro partido?
Porque não tinha nenhum outro partido que eu acreditasse. Se eu tivesse que voltar para um partido hoje, seria para o PDT. Eu acredito que vão surgir lideranças no partido que vão retomar o caminho.
Sobre a democracia brasileira, qual a sua opinião?
Não há democracia num país que tem quinze milhões de analfabetos, que morre quase um milhão de crianças por ano de fome e onde a mídia é dominada por dois, três grupos privados. Isso não é democracia, é uma ditadura da mídia que nos condiciona. Eu só posso falar em democracia formalmente, mas não é uma democracia real.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O caos no trânsito da Capital
Por volta das 16h30min houve um acidente na Avenida Castelo Branco, em Porto Alegre, envolvendo dois ônibus e dois carros. O que ninguém imaginaria é que um único acidente seria capaz de promover um verdadeiro caos no trânsito da capital.
A foto acima eu fiz de uma janela do 14° andar do Centro Administrativo do Estado, local onde eu trabalho, por volta das 18h45min. É uma imagem perfeita do que aconteceu com as ruas de Porto Alegre nesta segunda-feira. Os motoristas estavam impacientes, da minha sala eu escutava o barulho estridente das buzinas.
Os porto alegrenses ainda não se acostumaram com esse tipo de situação, mas, infelizmente, está mais do que na hora de acordar para isso. Não só as autoridades e os especialistas no assunto precisam parar e buscar soluções para o trânsito, como todos nós precisamos dar a nossa contribuição: andar mais de ônibus, de trem, ir para o trabalho a pé.
Semana passada, participei de uma reunião com o secretário de Infraestrutura e Logísitica do Estado, Daniel Andrade. Na ocasião, ele fez uma constatação incrível: “diariamente cerca de 200 veículos novos são emplacados em Porto Alegre”. E para se ter uma idéia, a Free-Way, que seria a rodovia modelo do Estado, foi construída na década de 1970. Como não saturar as nossas estradas?
Planejamento e conscientização, duas receitas fundamentais para que daqui a pouco tempo o trânsito da Capital não se torne o caos de uma metrópole como São Paulo.
domingo, 6 de junho de 2010
A política e eu
Sempre tive muita dificuldade para compreender a aversão das pessoas à política. No colégio, tentava convencer os meus colegas a votar aos 16 anos, na faculdade combatia (a maioria) que defendia o voto nulo. Eu acredito na importância do processo político para a construção de uma sociedade mais justa. Sempre defendi a máxima de que se os políticos são ruins, piores eles serão se nos omitirmos de votar e de participar da escolha dos nossos representantes. Somos cidadãos, ora!
Essa minha paixão veio desde criança, quando acompanhava os comícios dos partidos na missioneira São Luiz Gonzaga, cidade onde passei a minha infância e adolescência. Eu também gostava muito de assistir as propagandas políticas na televisão, comparava os discursos dos candidatos e a produção de cada equipe de campanha.
Na hora de decidir sobre o curso superior, resolvi cursar jornalismo, pois acreditei na importância da profissão como forma de colaborar com a conscientização política da nossa população. Durante a faculdade, escrevi todos os textos, artigos, matérias com assuntos relacionados ao tema. Na hora da monografia, optei por analisar um dos políticos mais controversos da América: o presidente venezuelano Hugo Chávez.
Conclui a graduação, trabalho como assessora de imprensa, mas ainda não desisti do sonho de ser uma jornalista de política. Este tema faz parte das minhas leituras, das minhas pesquisas, das conversas com a família, o namorado e os amigos. Por isso decidi começar por este blog... nada melhor do que a Internet - um espaço democrático - para apresentar as minhas ideias.
Essa minha paixão veio desde criança, quando acompanhava os comícios dos partidos na missioneira São Luiz Gonzaga, cidade onde passei a minha infância e adolescência. Eu também gostava muito de assistir as propagandas políticas na televisão, comparava os discursos dos candidatos e a produção de cada equipe de campanha.
Na hora de decidir sobre o curso superior, resolvi cursar jornalismo, pois acreditei na importância da profissão como forma de colaborar com a conscientização política da nossa população. Durante a faculdade, escrevi todos os textos, artigos, matérias com assuntos relacionados ao tema. Na hora da monografia, optei por analisar um dos políticos mais controversos da América: o presidente venezuelano Hugo Chávez.
Conclui a graduação, trabalho como assessora de imprensa, mas ainda não desisti do sonho de ser uma jornalista de política. Este tema faz parte das minhas leituras, das minhas pesquisas, das conversas com a família, o namorado e os amigos. Por isso decidi começar por este blog... nada melhor do que a Internet - um espaço democrático - para apresentar as minhas ideias.
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